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Bolsa Solano Trindade impacta periferias nas regiões Norte e Nordeste

Atualizado: 1 de nov. de 2023

Por Carla Ninos - Coordenadora de Comunicação da PIPA


A Bolsa Solano Trindade é uma iniciativa do Perifa Connection e da Iniciativa PIPA que visa fortalecer e incentivar os movimentos sociais periféricos por meio da injeção de recursos diretamente na base. A bolsa apoia 10 coletivos e/ou projetos com valor de R$10 mil e 5 ativistas engajados em movimentos sociais, prioritariamente das regiões Norte e Nordeste do país, com o valor de R$5 mil.


O coordenador executivo da Iniciativa PIPA, Gelson Henrique, explica que o nome da Bolsa é inspirado no pernambucano Solano Trindade, que foi poeta pintor, ator, teatrólogo, cineasta e militante do Movimento Negro. Solano morou, chegou a morar na Baixada Fluminense, em Duque de Caxias e escreveu o famoso poema "Tem Gente Com Fome", e por isso foi preso e torturado durante a ditadura do Estado Novo.


“Inspirados nesse ativismo negro e periférico, que é fundamental para um país melhor, homenageamos Trindade com essa iniciativa que tem o objetivo de apoiar e articular potenciais ativistas e coletivos que sofrem com as dificuldades de acesso a financiamentos e/ou apoio institucional.”, completou Gelson. Além dos recursos, os selecionados receberam mentorias realizadas pela equipe do Perifa Connection, PIPA e parceiros.


O Coletivo Slam Marginal, de Cruzeiro do Sul, no Acre, (AC), foi um dos beneficiados pela Bolsa Solano Trindade. Segundo a idealizadora e presidente do Coletivo, Karen de Souza, o incentivo chegou em um momento crucial pois o grupo vai fazer um ano em abril e enfrenta dificuldades para acessar recursos destinados ao incentivo à cultura através dos editais municipais e estaduais devido, principalmente, à burocracia dos processos seletivos. Segundo ela, o primeiro projeto até foi financiado por um edital estadual de incentivo à cultura, mas a burocracia acaba dificultando o acesso a outros editais.


“Receber uma bolsa, como a Solano Trindade, para poder executar um projeto importante como o Slam, nos fez sentir valorizados. Nos fez sentir que a cultura é valorizada. E é importante perceber que a bolsa veio de organizações que atuam nas periferias, ou seja, que se importam com o ativismo e entendem a importância do ativismo dentro das periferias. A bolsa já possibilitou que a gente conseguisse organizar a primeira batalha de rap, dentro do nosso coletivo. E a repercussão nos fez alcançar outros MCs que a gente não conhecia. Desde então, o nosso coletivo só cresce. A bolsa também injetou autoestima no coletivo, nos fez perceber que a gente pode conquistar outras bolsas e trabalhar com mais autonomia”, explicou Karen.


O Coletivo Meteorango Perifa foi criado em 2015, na cidade de Alcântara (MA), e promove sessões de cinema em praças públicas das cidades do interior do estado. Os filmes abordam temáticas que variam entre Meio Ambiente, Política, Cultura, Astronomia, etc. Uma das representantes do coletivo, Raíssa Souza, explica que a bolsa Solano Trindade veio para fortalecer a infraestrutura, a aquisição de equipamentos e a realização de oficinas e mostras de cinema.


Relação de confiança


Esta semana, o coordenador executivo da PIPA vai visitar um coletivo de mulheres negras periféricas, que atuam na favela do Coroadinho, em São Luiz (MA), a maior favela do Nordeste e a quarta maior do país. O projeto é idealizado pela ativista Isayana Oliveira Silva, que reuniu mulheres da comunidade para falar sobre justiça climática, uma agenda que o coletivo quer aprofundar, e que recentemente, conseguiram financiamento para fazer um censo sobre questões climáticas na comunidade.


Gelson Henrique explica que a bolsa Solano Trindade também pretende pautar novas formas de repasses de recursos, a partir da construção de uma base de confiança. “A bolsa foi paga em uma única parcela, entendo que essa é uma forma de construir uma relação de confiança e nós realizamos, ao mesmo tempo, formações, para que eles entendessem que a bolsa não era só sobre o recurso, mas também sobre a experiência como um todo e para ampliar as possibilidades deles no campo. Nós acreditamos que esses repasses possam ajudar a pautar outras pessoas. Agora, nós vamos visitar esses projetos para perceber o real impacto deles na ponta. Essa é uma das formas de mensurar o impacto de forma menos burocrática”.


Construindo soluções coletivamente


O Brasil é um país continental, com grande diversidade cultural, mas com desigualdades sociais colossais. Por isso, a Iniciativa PIPA e o Perifa Connection buscam fazer a diferença e levar incidência política para as periferias do país, também entendendo como periféricas às regiões historicamente tratadas à margem das políticas públicas e distribuição de recursos, como o Norte e o Nordeste brasileiro.


É notório que os territórios negros, indígenas e periféricos são os que mais sofrem com violações de direitos humanos, insegurança alimentar, violência policial e falta de acesso à educação de qualidade. Logo, se faz necessário fortalecer e direcionar investimentos às iniciativas e organizações que trabalham promovendo dignidade e oportunidades em suas comunidades, para que tenham condições de continuar funcionando.


Gelson Henrique reforça que não basta só denunciar os problemas, é preciso apresentar soluções a médio e longo prazo e encontrar formas de democratizar os financiamentos privados e filantrópicos e que, para isso, é preciso entender como essa distribuição de recursos se dá. Por isso, a Iniciativa PIPA, em parceria com o Nubank, realizou a pesquisa “Periferias e Filantropia - As barreiras de acesso aos recursos no Brasil”, que será lançada no final de março. O estudo analisou a descentralização dos recursos privados para viabilizar as ações e os projetos daqueles que estão na ponta e apresenta um mapeamento inédito do setor nas cinco regiões do país. Saiba mais sobre a pesquisa AQUI.


“Antes de promover democracia na vida das pessoas, precisamos democratizar o financiamento. Precisamos humanizar as pessoas da periferia que todos os dias tiram do próprio bolso para causar micro-revoluções nas suas comunidades. É desse ideal que surge a bolsa Solano Trindade”, conclui o coordenador executivo da Iniciativa PIPA.


Bolsa Solano Trindade, selecionados:


Coletivos:

Pretas Paridas da Amazônia (PA)

Força Trans Futebol Club (PE)

Coletivo Apaié Potiguara (PB)

Coletivo Favela LGBTQ+ (PE)

Meteorgango (MA)

Negritar Filmes e Produções (PA)

Batalha São Cristovão (PA)

Rebeldia Cabana (PA)

Slam Marginal (AC)

Ma(r)é (PE)


Ativistas:

Carolina Maria da Silva (PE)

Isayana Oliveira Silva (MA)

Janicleia Gomes Pinheiro (RN)

Kennedy Costa (AM)

Renato Izaias (PE)




 

Iniciativa PIPA


A PIPA surge da urgência em proporcionar o acesso de coletivos e organizações faveladas e periféricas ao investimento social privado e filantrópico no Brasil.

A PIPA quer construir um mundo em que os recursos filantrópicos e privados sejam acessíveis de maneira ampla e equitativa em termos de raça, gênero e classe.

A PIPA acredita que impulsionar territórios periféricos e favelados é colocar para voar juntas uma série de diversidades que atravessam e constroem realidades potentes, mas extremamente desiguais.

A PIPA acredita na justiça social!




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