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Vozes esquecidas pelas políticas

Atualizado: 1 de nov. de 2023

Luana Kaingang - Pesquisadora PIPA na região Sul


Sou Luana Kaingang, indígena do povo Kaingang do Sul do Brasil, graduanda do curso de odontologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e também faço parte do movimento indígena. Na minha região, os indígenas e suas comunidades, são muito invisibilizados por parte da sociedade e sofrem com muitas questões relacionadas ao uso da terra e preservação da natureza.


Nos sentimos invisibilizados, pois aos olhos de muitos não existem mais populações indígenas no Sul do país. São poucas instituições que trabalham no apoio aos nossos povos e, ainda, percebemos que não há aporte financeiro para as Organizações Não-governamentais (ONGs).


Com a grande colonização que sofremos aqui no Sul, os territórios para as populações indígenas se tornaram parcos. Historicamente, os parentes passaram a retomar seus territórios sagrados, dessa forma, as aldeias “metropolitanas” se tornaram uma realidade recheada de desigualdades sociais, com falta de políticas públicas e de uma presença maior do Estado. E não estou falando só das populações indígenas, mas dos vários povos tradicionais que habitam as terras do Sul do país.


Essa pesquisa realizada pela Iniciativa PIPA, é importante porque localiza os movimentos, ações, projetos e organizações que tomam a frente e realizam o trabalho que, muitas vezes, é de responsabilidade do Estado, pois se trata de ações básicas para a subsistência de várias comunidades e populações.


Durante a realização da pesquisa, trabalhei de forma direta, ouvindo as demandas e levando os objetivos da pesquisa e da própria PIPA, que é descentralizar os recursos privados para viabilizar as ações e os projetos daqueles que estão na ponta. Pude perceber a esperança no olhar dessa gente que precisa de apoio e de financiamento para ajudá-los de forma direta. Muitos superaram as desconfianças com a pesquisa, pois estavam desesperançados, mas perceberam que os objetivos são reais e possíveis.


Essa pesquisa da PIPA será fundamental para promover a democracia no acesso aos recursos privados e filantrópicos para quem está na ponta, trabalhando e impactando populações periféricas, inclusive indígenas e tradicionais. As pessoas têm que parar de romantizar a imagem do indígena, pois tem populações indígenas urbanas que habitam as periferias das cidades, que sofrem com a fome e com o descaso. Somos múltiplos e diversos, cada população indígena habita sua região e precisa lidar com seus problemas específicos, pois os povos que habitam as florestas enfrentam as especificidades de luta deste território. E as populações que habitam as periferias das cidades enfrentam as especificidades deste tipo de território. É preciso entender cada um, sabendo que o que é similar, é a necessidade de políticas públicas e apoio para que a gente possa ter segurança alimentar, um território protegido e a preservação da nossa cultura.

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