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Guia das Periferias para Doadores propõe a centralidade das periferias no campo

Atualizado: 2 de mai.

Carla Ninos - Iniciativa PIPA


A Iniciativa PIPA vai lançar, no dia 09 de maio, em São Paulo, o Guia das Periferias para Doadores, uma ferramenta estratégica de consulta destinada aos doadores no Brasil, apresentando reflexões e metodologias que reposicionam as organizações de periferia na centralidade do ecossistema de doação.


“O guia é um documento que tem uma série de propostas e caminhos para o diálogo sobre os desafios que existem entre as instituições doadoras do ISP e da filantropia e as organizações periféricas. Entendendo periferias a partir de um contexto plural e de vulnerabilidade social e estrutural, cuja população enfrenta muita dificuldade para acessar direitos básicos. Então, entendemos território periférico como as favelas, comunidades tradicionais, aldeias indígenas, quilombos, assentamentos, zonas rurais, etc”, explica Nildamara Torres, coordenadora de pesquisa da Iniciativa PIPA.


Roda de conversa sobre o Guia das Periferias em Manaus, com participação de lideranças locais. Foto por Grazi Praia (@grazipraia_).
Foto por Grazi Praia (@grazipraia_)

O diretor executivo da PIPA, Gelson Henrique, pontua que a atual lógica de alocação de investimento social privado não apenas perpetua desigualdades estruturais de raça, gênero e classe, como contribui para que pessoas e grupos periféricos, capazes de impactar as realidades de suas comunidades e territórios, não tenham acesso a recursos significativos para realizar seu trabalho.


O guia propõe inverter a lógica, quando muito se fala do que as organizações periféricas precisam fazer para terem financiamento, o guia evidencia o que as organizações doadoras podem avançar em agendas como pluralidade, equidade e escala de impacto a partir do trabalho que já fazem na prática de grantmaking no país. Para isso, o guia destaca três eixos, que podem começar a contribuir para os recursos serem mais facilmente distribuídos, são eles:


Pluralidade nas Equipes e Conselhos

É de suma importância que haja uma maior pluralidade nas equipes, no que tange raça e territorialidade. Desde o planejamento, passando pela execução e terminando na avaliação, pois impulsiona uma mudança estratégica programática interna.


Fortalecimento Institucional

Os doadores precisam olhar com mais atenção para suas estratégias de financiamento, visando focar recursos para o fortalecimento institucional das organizações. Usualmente, as organizações de periferias apontam que quando acessam financiamento, estes são para execução de projetos. Com valores que, muita das vezes, não possibilita nem os custos da passagem ou alimentação dos trabalhadores, que majoritariamente atuam de forma voluntária. –  Como aponta a pesquisa “Periferias e Filantropia”, em 58% das organizações de periferias, todas as pessoas são voluntárias.


Transparência

Costuma-se escutar de diferentes gestoras e gestores de organizações de periferias de todo o país, que o caminho do dinheiro é algo super concentrado, que não sabem a quem solicitar recursos. Por conta disso, é urgente que seja uma prática dos financiadores a transparência dos seus portfólios, apresentando quais linhas programáticas apoiam.


Nos últimos anos, o aumento no repasse de recursos a organizações sociais do país, ampliou as potencialidades institucionais do campo, fortalecendo este ecossistema de forma geral. “Mas, não considerar as organizações, coletivos e movimentos periféricos como atores prioritários para o recebimento de recursos de médio e grande porte, as práticas de financiamento filantrópico no Brasil perpetuam distorções na capacidade da sociedade civil em atender a demandas sociais e políticas urgentes e incentivam a não-sustentabilidade do campo”, afirma Gelson Henrique.



 

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