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A pesquisa apresenta dados, faz denúncias e aponta caminhos

Atualizado: 1 de nov. de 2023

Eduardo Marques - Pesquisador da região Nordeste


A construção dos coletivos de juventudes têm um significado extremo na articulação, fomento e difusão da cultura dentro dos territórios. Pensar uma cultura diversa e descentralizada requer uma divisão econômica, onde as periferias estejam dentro do orçamento e mais do que nunca, dentro das políticas públicas.


Entendemos a importância da cultura, da ciência, da pesquisa e das articulações que os movimentos sociais, coletivos e ONGs têm feito para diminuir as violências que as periferias vem sofrendo. Buscamos novas formas de agregar e potencializar as “quebradas” onde moramos e sonhamos com dias melhores.


O escritor Venício Artur de Lima, autor do livro “Comunicação e Cultura”, coloca Paulo Freire no centro da escrita e usa um termo que pode ser aplicado nas nossas vivências: “o corpo consciente”. Talvez, seja esse termo que usamos há um tempo, no sentido de nos colocarmos como sujeitos que desenvolvem seu corpo e sua fala para mudança local. Foi o que observei na pesquisa, à qual fui convidado a realizar junto à Iniciativa PIPA. Compreendo que nem sempre é fácil colocar seu corpo consciente em prática, porém, foi necessário se reinventar para mapear e entender as dificuldades que cada grupo/coletivo tem no desenvolver das suas atividades. Foram dias de busca por cada grupo e cada vivência distinta, tentando entender as questões burocráticas e a coragem de não deixar o projeto e/ou a instituição acabar por falta de recursos financeiros e insumos que fortalecem o movimento instaurado dentro de cada território.


Fazer parte da pesquisa Periferias e Filantropia - As barreiras de acesso aos recursos no Brasil foi, antes de tudo, me colocar como sujeito que idealiza e sonha com dias melhores para as pessoas que ainda apostam na mudança comunitária. Claro, a pesquisa mostrou um leque de possibilidades de ações que podem ser feitas, mas nos fez entender, o que sempre esteve bem claro, que os processos são demorados e que os recursos demoram ou nunca chegam. Talvez, não nos interesse somente os recursos, o benefício (recurso) é importante e preciso, mas, a formação é escassa, o que abre brecha para nos excluírem e nos negarem diante de cada processo que nos é colocado. Somos esquecidos nas trincheiras e nas vielas deste país, Brasil.


Encaro a pesquisa não somente como levantamento de dados. Vejo como um ato de denúncia e de propostas que podem ser feitas a partir de cada realidade que foi mapeada. Encerro minhas palavras de desabafo e indignação e parto para enaltecer as nossas lutas e conquistas que também são válidas para o nosso desenvolvimento e fortalecimento da nossa memória.


O quanto se faz necessária essas pesquisas para mostrar nossas potencialidades e nossas vontades de mudança. A Iniciativa PIPA tem esse olhar de não querer só entender as dificuldades que cercam esses coletivos, mas de mostrar o que pode ser feito para melhorar o que já vem sendo desenvolvido por cada pessoa.


O nome pipa é bem sugestivo, quando pensamos que pipa tem que voar alto para chegar às nuvens, queremos que todos nós tenhamos a chance de também voar alto, e é por isso que a pesquisa objetiva mostrar as periferias, ou melhor, busca entender o porquê de os grupos e coletivos serem excluídos e busca caminhos para incluir a todos no sistema.


Somos um país exclusivo e diverso, exclusivo é, na procedência da palavra, excludente. Filhos de um país tropical, que somos, mas com uma história marcada pela escravização de corpos pretos, não precisa pensar muito para entender quais são os grupos excluídos dos espaços que querem manter exclusivos. Existem diversas formas de passar o cadeado nessas entradas, por exemplo, preços exorbitantes, difícil acesso aos editais, olhares humilhantes, que, de tão corriqueiros, são facilmente aceitos pela sociedade. Claro, não quero aqui naturalizar toda essa negação de direitos, queremos dar sentido ao que produzimos dentro dos nossos territórios. Subverter a lógica e trabalhar em coletivo sempre foi nosso forte, as portas podem até se fechar, mas não vai ser por muito.


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